Diana Akokán

Cali, Colômbia, 1979

A espiritualidade, o sagrado, o acreditar em uma força superior é o amparo que muitos grupos marginalizados encontram para lidar com uma sociedade que tira tudo e não dá nada

Diana Isabel López – “Diana Akokán” – (Colômbia, 1979), é uma artista visual trabalhando a intersecção entre luto, memória, afeto e espiritualidade. Graduada em pintura pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Diana “Akokán” – palavra de origem iorubá que significa “do coração”- imigrou para os Estados Unidos na década de oitenta e se mudou para o Brasil em 2006, onde vive desde então. Ao longo de sua trajetória, participou de diversas exposições, entre as quais se destacam a IX Bienal da EBA “Kaleidoscópio” no Paço Imperial (2023), “Resistência”, no Centro Cultural dos Correios (2023), a ocupação artística “Dignidade” no Ministério Público (2023) e “Ainda não falamos sobre isso” (2024) no Espaço Travessia do Instituto Municipal Nise da Silveira, no Rio de Janeiro. 

Fazendo uso de tinta a óleo, acrílica, aquarela, encáustica, nanquim e grafite, Diana utiliza a pintura como base para a construção de um imaginário onde crença e realidade se encontram, em imagens que aproximam o espectador dos sentimentos de saudade e luto, e sugerem diferentes possibilidades para a estruturação do afeto e da memória. Em sua produção, vivências diversas se atravessam como um “nó no coração”, ecoando aquilo que é amado mas deixado pelo caminho. Comidas, lugares ou pessoas integram um espaço afetivo criado pela artista, como em Santo Buñuelo (2022), para acomodar e ressignificar acontecimentos vivenciados na trajetória de pessoas que necessitam deslocar-se de suas terras natais.

A Curandeira (2022). Óleo sobre tela, 75cmx47cm.

Apoiada em uma visualidade ao mesmo tempo poética e crítica, a artista  registra as consequências dos regimes políticos que inviabilizam a migração segura de pessoas, especialmente na fronteira entre México e Estados Unidos. Na série “Fayum na Fronteira”, por exemplo, as máscaras de Fayum – retratos realistas que acompanhavam o corpo mumificado de indivíduos de altas classes no Egito romano  – são ressignificadas para acentuar a ausência daqueles que perderam a vida tentando cruzar a fronteira. Neste contexto, a artista evoca a espiritualidade como diálogo entre possibilidades de acalanto e resistência cultural, como no quadro A Curandeira (2022), por exemplo. Afetividade e espiritualidade são possibilidades expressas e necessárias no trabalho de Akokán, agindo para a manutenção da memória de tradições, acontecimentos e rituais, especialmente de pessoas deslocadas e/ou excluídas da sociedade e de suas práticas sociais tradicionais.

– Verbete por Milena da Cunha S. Cruz

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