Matheus Pires

Brasília, Brasil, 1993

“Caminante, no hay camino, se hace camino al andar”

Antonio Machado

Matheus Pires é artista visual, professor e pesquisador, e tece sua vida e obra entre a Cidade de Goiás e Goiânia. É Mestre pelo Programa de Pós-graduação em Artes Visuais da UnB, na linha de pesquisa ‘Deslocamento e Espacialidades’, e graduado em Artes Visuais Bacharelado pela FAV/UFG e graduando em Filosofia Bacharelado pela FAFIL/UFG, além de membro do Laboratório de Filosofia da Fotografia (Labfotofilo/FAFIL/UFG/CNPq).

Cofundador do Ateliê Asterisco, Matheus também participou de exposições em espaços culturais, as quais destacam-se: exposição ABRE ALAS 19, na Galeria Gentil Carioca, Rio de Janeiro/RJ (2024); exposição ‘Abrir Horizontes’, no Centro Cultural Octo Marques, Goiânia/GO (2023); Mostra Incubadora, na Galeria Index, Brasília/DF (2021); e a residência artística no Berlin Art Institute, em Berlim (2019), experiência em que refletiu sobre a relação entre a paisagem e a absorção do discurso nacionalista totalitário na história moderna alemã e os possíveis paralelos com o cenário político brasileiro no momento de transição entre governos – aproximando-se, especialmente, da história e processo de fundação do Bairro Jaó, em Goiânia. Dessa forma, o artista arquiteta sobreposições, confrontos e mitologias entre territórios distintos a partir da diluição de suas fronteiras e da investigação de suas camadas, com obras que nos convidam a reimaginar os elementos políticos e simbólicos do mundo e suas complexidades.

Humilitas (2021). Videoarte, 34’52”.

Em sua produção artística, o artista explora profundamente as relações entre deslocamento, paisagem e política por meio do gesto poético de caminhar como método de investigação. Desenho, escultura, vídeo, fotografia, performance e instalação são alguns dos suportes explorados por ele para desvelar as camadas de tempo, espaço e história, em uma operação autobiogeográfica com conexões estabelecidas pelo deslocamento. A série de desenhos “Estratagemas” (2023), derivadas da série “Situações Limítrofes” (2021-2022), entrelaça a história da construção do Bairro Jaó, em Goiânia, a caminhada pelos arredores do Aeroporto Santa Genoveva e a passagem pela cidade de Oranienburg, Alemanha, como uma forma de investigação de conceitos relacionados a fronteiras, o estrangeiro e as políticas de pertencimento do lugar.

A sua atenção às questões políticas e símbolos de poder estampados na paisagem – escancarados ou escondidos –, são investigadas e problematizadas pela desestabilização de pontos de vista através do deslocamento físico. O atravessamento e a reconexão entre espaços em seu processo de criação também se conectam com sua vivência como professor no curso de Artes Visuais do IFG, na Cidade de Goiás, em que pensa de forma inventiva as dimensões políticas, historiográficas, éticas e metodológicas da construção do pensamento artístico e de tensionamento de discursos hegemônicos e totalitários. Assim, sua prática artística e docente se cruzam em um caminho rumo à pluralidade de pensamentos, para que seja possível deslocar os legados políticos inscritos nas paisagens e imaginar novos horizontes.

– Verbete por Ariane H. de Carvalho

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