Oksana Rudko
Sibéria, Rússia, 1986
“Por meio da experiência, o corpo cria memória. Por meio da memória preservamos histórias que provocamos o surgimento e o fortalecimento de vínculos coletivos, independentemente da distância geográfica das comunidades”
Oksana Rudko (Sibéria, Rússia, 1986) é uma artista multimídia russa que explora questões de deslocamento, usando o som para registrar processos de transformação, migração, transmissão de experiências de memória coletiva e relações com o ecossistema. Decidida a deixar seu país de origem em 2022, Oksana se estabeleceu na cidade de São Paulo, onde mora até hoje. Ela frequentou a MMOMA School of Contemporary Art em Moscou e estudou na Salzburg International Summer Academy of Fine Arts na Áustria, mas foi sua trajetória no radiojornalismo – Oksana possuí graduação em jornalismo e trabalhou em rádio na Rússia – que inspirou seu interesse pelo uso criativo do som.
Em sua prática, a artista explora a materialização do som por meio de diferentes suportes – incluindo serigrafia, monotipia veneziana, foto transferência e fotografia tradicional. Usando uma variedade de tecnologias, ela combina gravações de campo e sons de fotografias em histórias em áudio e depois as transforma em imagens. Ela também cria objetos sonoros e instalações. Recentemente, ela vem explorando ferramentas de Inteligência Artificial para criação de contos de fadas em vídeo, como no projeto “Rush Home” (2023-2024).
Ao longo de sua trajetória, Oksana integrou importantes exposições de arte contemporânea em diversos países, incluindo a VII Bienal Internacional de Arte Jovem de Moscou (2020) e a primeira Bienal Internacional de Arte para o Futuro (2021), ambas na Rússia. Além disso, ela participou, também, da mostra Trespassing Is Inhabited, Fluc & Fluc Wanne(2022) em Viena, da sexta Biennale Wrong(2023) em Tóquio, e de diversas exposições no Brasil, como o décimo-quarto Salão dos Artistas Sem Galeria (2023) e a sexta Bienal Sertão de Artes Visuais (2023).
Sussurro das Estrelas (2024). Instalação interativa sonora (7 canais de áudio), 110 x 262 x 650 cm (variável).
Sons de grãos - Sussurro das Estrelas (2024). Impressão fineart em papel Photo Rag Metallic 340 g/m², 7 imagens 42 x 59 x 0,1 cm de cada.Como estrangeira imersa em uma cultura nova, Oksana usa a arte como uma oportunidade para permanecer compreensível mesmo em um ambiente linguístico desconhecido. Trabalhando com temas de migração, sua arte desloca som e imagens entre diferentes países. Na série “Sonic Creatures”, por exemplo, pequenos objetos sonoros posicionados em espaços públicos permitem que a ambientação sonora de determinado país rasgue o espaço e a realidade de outro. Ao mesmo tempo, esses objetos atuam como agentes de memória, preservando resquícios da diversidade cultural e temporal por meio das sonoridades.
Do mesmo modo, a artista traz a pauta ambiental a partir de sua abordagem singular, como na instalação “Sussurro das Estrelas” (2024), que leva o nome de um fenômeno experienciado pelos indígenas Yakut, da Sibéria, e ameaçado pelas mudanças climáticas: o sutil som emitido pelo choque de cristais de gelo formados quando o ar exalado por uma pessoa congela em ambientes de frio rigoroso. Nesta instalação, a artista propõe a preservação desse fenômeno por meio de uma abordagem colaborativa, onde indivíduos de diferentes regiões da América do Sul foram convidados a simular este fenômeno sonoro por meio do barulho de diferentes grãos. Esses sons são incorporados à instalação através de pequenas caixinhas sonoras interativas dispostas de modo a formar a imagem da constelação Balde da Ursa Maior –constelação associada ao céu do extremo norte, incluindo a região onde vivem os povos indígenas – Yakuts.
Essas obras, assim como outras em sua produção, refletem um interesse de Oksana pela arte como um espaço de trocas, um convite para encontros transculturais e trans-geográficos e para outras formas de reconhecimento: “A arte é incrível porque, em certo sentido, provoca curiosidade, e a curiosidade é sempre seguida por uma expansão da imagem familiar do mundo, o que, idealmente, nos ensina a permanecer humanos. Mesmo nos tempos mais sombrios.”
– Verbete por Sara S. Attique Maximo
Seleção de obras
Sons de grãos – Sussurro das Estrelas (2024), Vista da instalação. Impressão sonora fineart em papel Photo Rag Metallic 340 g/m², 7 imagens 42 x 59 x 0,1 cm de cada.
Rush Home (2023/2024). Série de contos de fadas baseada em trechos de vídeos de IA.
Notas para um Buraco, detalhe (2023/2024). Colagem digital, 250x150 cm.
Notas para um Buraco (2023/2024). Vista da instalação. Impressão sobre tecido.
Poetry 2000 (2020). Vista da instalação. Papel, monotipo e serigrafia.
Poetry 2000, detalhe (2020). Papel, serigrafia, 59.4 х 42 cm.
Cafunzinho (Kalakala) (2021). Série "Sonic Creatures". Objeto sonoro (som da Áustria). Intervenção, Parque Ibirapuera/ Bienal - SP Arte, São Paulo.
Instalação sonora interativa de 7 canais, criada especificamente para o local, intitulada Whisper of the Stars, 1.2ª Bienal SACO, Melbourne Clark Pier, Antofagasta, Chile, 2025. Dimensões: 490 cm x 250 cm x 150 cm