Casa-

território

Território-

casa

“Uma casa não pode diferir de outra

o que importa é saber

se está edificada no céu ou no inferno”

Jorge L. Borges

Fruto de um processo de curadoria coletiva, envolvendo alunos de graduação e pós-graduação da Unicamp e pesquisadores externos, a exposição “Casa-território /// Território-casa” reúne o trabalho de 10 artistas visuais, de 7 nacionalidades diferentes, participantes do projeto Rede ArteRefúgio.  

Tomando a noção de lar como elemento disparador, a exposição propõe um recorte sobre a produção desse grupo heterogêneo de artistas a partir de reflexões que suas obras suscitam sobre as dimensões pessoais e coletivas do ato de habitar.

Como nosso “primeiro universo” –“um cosmo em toda a acepção do termo”, nas palavras de Bachelard –, a casa se apresenta como a imagem por excelência de um espaço protetivo, o “não-eu que protege o eu”. Esse universo, no entanto, não pode se constituir isoladamente – na acepção filosófica de Antônio Bispo dos Santos, por exemplo, “a casa é feita pela localização do terreno, pela localização das portas e janelas e pela localização da lua”. É sempre em relação a um mundo inteiro que a excede que o universo protetivo da casa vai se constituir. Ela nos posiciona, ainda segundo Nêgo Bispo, “dentro de uma relação cosmológica”. 

O que fazer, no entanto, quando essa imagem acolhedora não pode se estabelecer? Quando sistemas geográficos, políticos, econômicos impedem a efetivação deste “lar ideal”? Ou ainda, quando a constituição deste lar reproduz as violências inerentes a esses sistemas?  

Com trabalhos em diferentes suportes – incluindo pintura, colagem, fotografia, vídeo e instalação –, os artistas que compõem a exposição “Casa-território /// Território-casa” levantam essas questões e complexificam noções de pertencimento, identidade e memória. Diante de sua produção, somos confrontados com a sobrevida do colonialismo em regimes materiais e simbólicos; a violência das políticas fronteiriças contemporâneas; a ordenação racial dos espaços urbano e doméstico; e as consequências da relação exploratória entre seres humanos e o ecossistema. 

Suas práticas, no entanto, não se limitam a um gesto desconstrutivo. Mais do que isso, elas se apresentam como intervenções crítico-poéticas, nos convidando a imaginar futuros – e passados – alternativos.

Num fluxo permanente entre interior e exterior, entre pessoal e coletivo, esses artistas reconstituem o lar como um ponto de inflexão, a partir do qual é possível visualizar as ordenações políticas do mundo que o cerca e propor reorganizações sensíveis entre a casa e o território. 

– João Felipe R. Ferreira, Diretor Curatorial.

Conheça os artistas

A exposição está em cartaz no Centro Universitário MariAntonia, em São Paulo